A Geração Z está redefinindo o mercado de suplementos no Brasil. Mais do que buscar performance física, esses consumidores passaram a incorporar suplementos à rotina do dia a dia: no trabalho, nos estudos, no treino e também no descanso. Assim, entender esse movimento é necessário para compreender para onde este mercado está caminhando no Brasil.
Do Suplemento Técnico ao Suplemento de Rotina
Por muito tempo, suplementos foram associados a um público muito específico: academia, performance e objetivos físicos bem definidos. Nesse contexto, as embalagens eram chamativas, a linguagem era técnica e o consumo era pouco intuitivo para quem estava fora desse universo.
No entanto, o que mudou não foi o produto em si, mas o contexto em que ele aparece.
Hoje, suplementos fazem parte da rotina de quem trabalha em home office, estuda para concursos, treina três vezes por semana ou simplesmente busca mais energia e foco ao longo do dia. Dessa forma, eles deixaram de ser um recurso de nicho e passaram a ocupar um espaço cotidiano, acessível e, cada vez mais, integrado de forma natural à vida de quem os usa.
Além disso, dados recentes indicam que a preocupação com bem-estar cresce de forma consistente entre consumidores mais jovens e que esse crescimento está diretamente ligado à busca por soluções práticas, não por transformações radicais de estilo de vida. Segundo análise da McKinsey & Company, o mercado de bem-estar continua em expansão, impulsionado por consumidores que priorizam saúde no cotidiano.
O que a Gen Z Espera de Suplementos
A geração Z não busca soluções milagrosas. Pelo contrário, o que orienta o consumo dessa geração é a redução de atrito: produtos que funcionem de forma clara, que se encaixem na rotina sem exigir rituais elaborados e que façam sentido tanto na prática quanto visualmente.
Por isso, três características se destacam no perfil de consumo Gen Z de suplementos:
Praticidade real. Em primeiro lugar, o produto precisa ser fácil de consumir: sem preparo complexo, sem sabores difíceis e sem etapas que criem resistência no dia a dia. Caso o consumo exija esforço, ele não vira hábito.
Transparência sobre o que faz. Além disso, essa geração pesquisa antes de comprar. Ingredientes, dosagens e benefícios precisam estar claros e acessíveis. Linguagem técnica sem tradução afasta mais do que atrai, e marcas que explicam bem constroem mais confiança do que as que apenas prometem resultados.
Coerência com os valores pessoais. Por fim, sustentabilidade, composição limpa e posicionamento de marca importam. Um produto que contradiz o estilo de vida do consumidor dificilmente entra na rotina, mesmo que seja eficaz. Portanto, a embalagem, a comunicação e a proposta da marca precisam estar alinhadas com quem compra.
O Papel das Redes Sociais na Decisão de Compra
Em poucos segundos no TikTok, já é possível identificar um padrão: o potinho na bancada, a bebida na garrafa bonita, o café funcional antes do treino. Nesse sentido, esse padrão não é acidental, mas o resultado de uma nova forma de descoberta e validação de produtos.

Atualmente, a decisão de compra da geração Z passa menos por campanhas publicitárias tradicionais e mais por uso real e recomendação orgânica. Assim, plataformas como TikTok e Instagram funcionam simultaneamente como vitrine, prova social e canal de educação sobre os produtos.
Consequentemente, isso muda a lógica de marketing das marcas: mais do que anunciar, é preciso aparecer de forma natural na rotina de pessoas reais. Criadores de conteúdo que usam o produto com autenticidade geram mais confiança do que campanhas produzidas com alto investimento, e esse princípio se aplica tanto a grandes marcas quanto a negócios locais de bem-estar.
Marcas que Cresceram com Esse Movimento
Algumas marcas brasileiras entenderam cedo essa mudança de comportamento e construíram seu posicionamento em torno dela. Em comum, não está apenas o produto, mas a forma como elas se encaixam na rotina do consumidor.
Guday — praticidade no consumo
Ao oferecer creatina em formato gummy, a Guday reduziu uma das principais barreiras de consumo de um suplemento já consolidado: o preparo. Como resultado, não houve uma mudança na função da creatina, mas sim um aumento real na consistência de uso, especialmente entre consumidores que nunca tiveram o hábito de suplementar e que agora encontram uma entrada mais acessível.
SuperCoffee — café com função ampliada
Da mesma forma, o SuperCoffee ajudou a popularizar o conceito de café funcional no Brasil, combinando praticidade com uma proposta de energia mais estável ao longo do dia. Presente tanto no pré-treino quanto em rotinas de trabalho e estudo, o produto conseguiu sair do nicho fitness e alcançar um público muito mais amplo — um caso exemplar de como reposicionar um produto pelo contexto de uso, e não apenas pela fórmula.
Jungle — hidratação com outra proposta
Por outro lado, a Jungle atua na categoria de isotônicos com foco em composição mais simples e consumo mais consciente, respondendo a um público que quer se hidratar adequadamente sem recorrer a produtos com listas extensas de ingredientes artificiais. Assim, a proposta ressoa com consumidores que leem o rótulo antes de comprar — e esse perfil está crescendo.
Briv — foco na constância
Por fim, a Briv se posiciona em torno de rotina real, consistência e hábitos possíveis, afastando-se deliberadamente da lógica de performance extrema. A proposta ressoa com quem busca bem-estar sustentável, não resultados imediatos, e traduz bem o que a geração Z valoriza: progresso silencioso, sem exagero.
Por que o Mercado de Suplementos Cresce no Brasil
O crescimento do mercado de suplementos no Brasil não é casual. Na verdade, ele é sustentado por uma combinação de fatores estruturais e comportamentais que se reforçam mutuamente.
Em primeiro lugar, o aumento da preocupação com saúde e bem-estar, especialmente a partir de 2020, criou uma base de consumidores mais atenta à qualidade do que ingere e ao impacto disso na energia, no humor e na produtividade diária. Além disso, o maior acesso à informação, viabilizado pelas redes sociais e por criadores de conteúdo especializados, democratizou um conhecimento que antes era restrito a atletas e profissionais de saúde.
Paralelamente, a distribuição digital também transformou o setor. Hoje, uma marca consegue nascer online, construir audiência e vender em escala nacional sem depender de grandes redes de varejo físico, desde que consiga gerar confiança e entregar consistência na experiência do consumidor.
Como resultado, o mercado se torna mais plural, mais acessível e mais exigente ao mesmo tempo. Portanto, marcas que crescem nesse ambiente são aquelas que conseguem ser úteis na vida real das pessoas, e não apenas nas campanhas.
O que Mudou na Prática
Os suplementos deixaram de ser produtos pontuais, comprados com um objetivo específico e abandonados quando esse objetivo some ou não se concretiza. Em vez disso, passaram a ser parte de uma rotina mais ampla de autocuidado: mais fáceis de consumir, mais presentes no dia a dia e mais alinhados a diferentes estilos de vida.
Assim, essa mudança não está necessariamente na fórmula, mas na forma de uso, no contexto em que o produto aparece e no significado que ele carrega para quem o consome. Um suplemento que cabe na bolsa, que não exige preparo e que aparece de forma prática no dia a dia tem uma vantagem real sobre um produto igualmente eficaz, mas que exige esforço para ser usado.
Em outras palavras, consistência é o novo resultado. E os produtos que facilitam essa consistência são os que permanecem na rotina.
Conclusão
O autocuidado não é novo. No entanto, o que mudou é a forma como ele é vivido.
Sem rituais complexos, sem linguagem distante e sem a exigência de transformar completamente a rotina. Aos poucos, os suplementos passaram a ocupar um espaço mais simples e mais sustentável: o de ajudar a manter o básico funcionando, dia após dia.
Portanto, para quem acompanha esse mercado, ou faz parte dele, o movimento da geração Z não é uma tendência passageira. Pelo contrário, é uma mudança de expectativa que já está moldando produtos, marcas e a forma como o bem-estar é comunicado no Brasil.

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